Por iniciativa de Adolfo Menezes, Assembleia concede Comenda 2 de Julho ao jornalista Florisvaldo Mattos

Por iniciativa de Adolfo Menezes, Assembleia concede Comenda 2 de Julho ao jornalista Florisvaldo Mattos

A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) realizou, na manhã desta quinta-feira (11), uma emocionante sessão especial de concessão da Comenda 2 de Julho para Florisvaldo Moreira de Mattos, advogado, poeta, professor e mestre do jornalismo baiano. Presidida pelo deputado Adolfo Menezes (PSD), proponente do evento, a cerimônia foi prestigiada por autoridades, familiares, membros da Academia de Letras da Bahia, na qual o homenageado ocupa a cadeira de número 31, nomes das artes da Bahia e colegas das redações por onde passou.

Com seus 94 anos dedicados à cultura, à erudição, ao jornalismo diário e à poesia, o mestre Flori, como carinhosamente é chamado por colegas, ingressou no Plenário Orlando Spínola conduzido por ex-alunos da Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom), atualmente veteranos do ofício e que tiveram no professor uma grande referência. A chegada ficou ainda mais bela com o cortejo dos Afoxé Filhos de Gandhy e de baianas.

À Mesa, Florisvaldo Mattos foi ladeado também pela deputada Olivia Santana (PC do B), presidente da Comissão de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia e Serviço Público da ALBA, a quem o deputado Adolfo Menezes passou a condução dos trabalhos quando se levantou, dirigindo-se ao púlpito.

“Em 94 anos, o nosso homenageado com a Comenda 2 de Julho ainda é o menino que andava sob os cacaueiros da Fazenda São Salvador, de seu pai, e que continua a gestar todos os sonhos do mundo. Um poeta é alguém que deixa à humanidade, em versos, como partilha, um pedaço da sua vida. E Florisvaldo Mattos nos lega algo que é para sempre”, elogiou o parlamentar.

Emocionado não somente pela homenagem ao mestre Florisvaldo Mattos, a qual ele disse que deveria ter sido realizada há 20 anos, quando em seu primeiro mandato na Casa, Adolfo Menezes teve a voz embargada pelo fato de a cerimônia ser exatamente a última por ele presidida, já que não mais disputará a vaga no Parlamento baiano na próxima eleição.

“Coincide, mestre Flori, com a minha despedida deste plenário, com o quase fim da minha atividade parlamentar”, disse o legislador, agradecido pela coincidência. “Nada foi escolhido, nada foi combinado com o destino. Não sabia que teria a honra de comandar esta solenidade, que é uma homenagem que toda a Bahia lhe presta, ao dedicar-lhe a 2 de Julho. Laurel pela tua trajetória como homem de retidão, como jornalista dos melhores e pelo legado que nos deixa, que são como diamantes e esmeraldas, tesouros da tua vida, engastados em teus livros”, declarou.

Antes de seu discurso, o deputado Adolfo Menezes proferiu a mensagem encaminhada pela presidente da ALBA, deputada Ivana Bastos, em saudação ao homenageado. “Há homens que atravessam o seu tempo e há aqueles que dão voz ao próprio tempo, transformando em palavras os sonhos, as inquietações e a identidade de toda uma geração. Florisvaldo Mattos pertence a essa linhagem”, definiu.

A chefe do Legislativo baiano destacou também que a outorga da Comenda 2 de Julho ao jornalista, professor e poeta é o reconhecimento a um profissional que ajudou a construir a inteligência cultural da Bahia. “Parabenizo o deputado Adolfo Menezes pela iniciativa justa e necessária, permitindo que o Parlamento estadual conceda esta importante honraria a uma pessoa que dedicou sua longa vida à cultura, ao jornalismo, à educação e à literatura”, afirmou.

Referência

Uma comitiva de Uruçuca, composta de amigos, parentes e autoridades da cidade onde o poeta nasceu, marcou presença na sessão especial. A prefeita Magnólia Barreto frisou que a homenagem reconhece não apenas o escritor consagrado, mas também o menino de Água Preta que soube transformar lembranças em poesia e fazer de sua terra uma referência permanente em sua obra. “Mestre Florisvaldo, Uruçuca sente orgulho de sua história, mas sente mais orgulho de poder chamá-lo de filho desta terra”, confessou a gestora municipal.

Diretor da Faculdade de Comunicação da Ufba, Washington de Souza Filho lembrou que, em 1989, foi aprovado em concurso para o magistério superior, tendo como um dos examinadores da banca o professor Florisvaldo. “Parabéns, mestre, pelos mais de 36 anos de convivência. Por mim, como ex-aluno e colega, pela Facom, onde o amigo escreveu seu nome na formação de centenas de jornalistas que hoje reverenciam sua brilhante trajetória”, afirmou o jornalista e professor.

Além dos citados, compuseram a Mesa de honra da solenidade, a deputada federal Lídice da Mata (PSB); o chefe de gabinete da Secretaria de Comunicação do Estado da Bahia, Luciano Suedde; o coordenador de Rádio da Secom-Bahia, Edmundo Filho; a prefeita de Uruçuca, Magnólia Barreto; o presidente da Academia de Letras da Bahia (ALB), Aleiton Fonseca; o vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Moacy Neves; a presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Suely Temporal; e o diretor da Faculdade de Comunicação (Facom) Universidade Federal da Bahia (Facom-Ufba), Washington José de Souza Filho.

Também estavam à Mesa o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-BA, Luiz Viana Queiroz; a presidente do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), Fernanda Gama; a diretora de Jornalismo do Jornal A Tarde, Mariana Carneiro; o escritor, poeta e professor Ruy Espinheira Filho; e o chefe de Comunicação da Assembleia Legislativa da Bahia, Luiz Fernando Lima.

A cerimônia foi abrilhantada, ainda, por apresentações da cantora e compositora Rita Tavares, que foi aluna de jornalismo do mestre Flori, do maestro Marcos Roriz, que musicou o poema Canção do Pássaro Viúvo, do poeta Sosígenes Costa, e do aboiador e trovador Jessé Machado.

Após a homenagem, já no Saguão Nestor Duarte, Florisvaldo Mattos deu autógrafos no lançamento, pelo selo ALBA Cultural, da reedição de Mares Anoitecidos, livro de poemas ambientado no período da invasão holandesa à Bahia, entre 1624 e 1625, com prefácio do escritor Alexei Bueno.

Poeta da redação

A vida do mestre Florisvaldo Mattos é a mais alta poesia, ou assim ele a transformou. Em seu discurso, ilustrou a história com versos, citando poemas que descrevem com sutilezas os anos percorridos. Ele iniciou agradecendo à Casa Legislativa pela homenagem e disse nunca ter imaginado que alcançaria o tamanho prestígio de chegar a tal dia, o qual considerou o topo de sua carreira.

“Começo pelo dever de agradecimento, merecido e sincero, ao ilustre deputado Adolfo Menezes por esta prestigiosa cerimônia de entrega da Comenda 2 de Julho, que muito me honra”, disse.
Flori lembrou dos seus primeiros anos na localidade do Barro Vermelho, onde o pai tinha um comércio de secos e molhados, e, posteriormente, em Água Preta, no então distrito de Ilhéus, atualmente município de Uruçuca. Dali, seguiu para Itabuna e, após o segundo grau, a Salvador, onde, conforme relembra, chegou admirado numa segunda-feira de Carnaval.
Na capital baiana, cursou Direito, na Universidade Federal da Bahia, formando-se em 1958. No mesmo ano, iniciou-se na atividade de jornalismo impresso, na equipe do extinto Jornal da Bahia. Também atuou, à época, no Jornal Diário de Notícias, que integrava os Diários Associados de Assis Chateaubriand.

Ao lado de nomes como Glauber Rocha, Paulo Gil Soares, Calasans Neto e Fernando Rocha, foi integrante da geração Mapa, que agitou a vida cultural da Bahia da segunda metade da década de 1950 até meados da década de 1960, atuando com destaque nas áreas de literatura, cinema, teatro, artes plásticas e jornalismo.

Flori lembrou dos tempos no Jornal do Brasil, do ingresso na Ufba, a convite do jornalista Jorge Calmon, para lecionar, atuando de 1962 a 1994, e da sua atuação à frente do caderno A Tarde Cultural, que recebeu o prêmio de melhor suplemento cultural do país pela Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1995. Segundo ele, foi justamente o sucesso do A Tarde Cultural que o projetou à vaga de imortal da Academia de Letras da Bahia (ALB).

Florisvaldo Mattos foi de repórter a chefe de redação em diversos periódicos em que atuou, encerrando sua carreira jornalística no Jornal A Tarde, em 2011.

Nasceu em 8 de abril de 1932, em Uruçuca, filho do comerciante e agricultor Oscar Moreira da Matos e de Gertrudes Ferreira de Freitas. É casado há 43 anos com Vera Pessoa de Mattos. Tem três filhos, Elzinha, Mauro e Joana, e os netos Guilherme, Beatriz, Anaís, Marina, Benjamin e Bernardo.

Pela Ufba, concluiu o mestrado em ciências sociais. Fez especialização em jornalismo e documentação pela Escuela Superior de Periodismo, em Madri.

Foi mestre de inúmeros profissionais e companheiros de jornadas nas redações baianas, a exemplo de Emiliano José, Sérgio Emmanuel, Jorge Calmon, João Carlos Teixeira Gomes, Carlos Libório, Paolo Marconi, Fernando Vita, Tasso Franco, Bob Fernandes, Zé Cerqueira Filho, Elieser Cesar, Carlos Navarro, Adilson Borges, Paulo Bina, Nice Melo, Suzana Varjão, Alberto Freitas, Rogaciano Medeiros, Gilmar Medeiros, Socorro Araújo, Carla Copello, Adalberto Meireles, Washington Souza Filho, Anaiçara Póvoas, Eduardo Cruz, Rosane Santana, Chico Ribeiro Neto, Isabel Santos, Gorette Brandão, Carlos Ribas, Suely Temporal, Cris Barude, Paulo Renan, Casemiro Neto, José Américo, Ana Lúcia Xarutto, Doris Pinheiro, Anna Valéria, Solange Galvão, Patrícia França, Nádya Risocelly e Jeane Borges.

Foto: Ascom/Agência ALBA

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