Mais de 50 forrozeiros de diferentes regiões da Bahia participaram, nesta quinta-feira (5), em Salvador, de uma reunião na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB) com o presidente da entidade, Wilson Cardoso. O encontro teve como pauta central a defesa do protagonismo do forró nas programações dos festejos juninos realizados pelos municípios baianos.
O movimento foi representado pelo músico e produtor cultural Carlos Mateus e pela produtora Alessandra Gramacho, que atuaram como porta-vozes dos forrozeiros e apresentaram uma proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) voltada à valorização dos artistas baianos no São João. A iniciativa propõe que pelo menos 50% das atrações contratadas para os festejos juninos sejam de artistas da Bahia, com aplicação do percentual também no volume de recursos investidos, além de medidas de transparência e desburocratização nas contratações.
Durante o encontro, o cantor e compositor Del Feliz destacou a importância histórica da reunião e o avanço no diálogo institucional. Segundo ele, a pauta dialoga com a luta antiga do segmento pela valorização da cultura regional. “Essa luta vem da tentativa de implementação da Lei da Zabumba, para que parte dos recursos públicos seja destinada à autenticidade das festas culturais, especialmente o São João, valorizando os artistas regionais”, afirmou.
O cantor Genard Melo reforçou a necessidade de garantir espaço efetivo para o forró nas festas juninas. Para ele, a mobilização é fundamental diante da falta de oportunidades ao longo do ano. “As bandas de forró quase não tocam em outros eventos como festas de padroeiro, carnaval e aniversário de cidades. Por isso, é essencial lutar pelo espaço que é nosso por direito, que é cultural, tradicional e está no coração do povo”, disse.
O presidente da UPB, Wilson Cardoso, avaliou o encontro como positivo e sinalizou disposição da entidade em contribuir para o avanço das propostas apresentadas. “Existe um sentimento crescente entre prefeitos e prefeitas de que é preciso valorizar o forró e a cultura regional”, afirmou. Cardoso informou que a UPB vai acionar seu setor jurídico para analisar alternativas legais que possam facilitar a contratação de forrozeiros, especialmente os que estão iniciando a carreira. “Do jeito que está, muitas vezes se tira a oportunidade do primeiro emprego cultural desses artistas”, destacou.
Encaminhamentos
Entre os encaminhamentos discutidos estão a possibilidade de estabelecer percentuais mínimos de recursos destinados à contratação de artistas locais, a simplificação de processos para cachês de menor valor e o acompanhamento das medidas por órgãos de controle, como o Ministério Público e os tribunais de contas.
A proposta de TAC apresentada pelos forrozeiros defende que os festejos juninos, reconhecidos como patrimônio cultural imaterial, sejam também instrumentos de fortalecimento da economia criativa, geração de emprego e preservação das tradições populares. O documento será debatido com prefeituras, órgãos de controle e o Governo do Estado, com o objetivo de construir uma pactuação institucional para os próximos ciclos do São João na Bahia.
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